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Salve Os Pretos e Pretas Velhas! Adorei as almas!

Rituais da semana santa54.25

Rituais da semana santa

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Rituais da semana santa

Mensagem por Eliane Mello em Qui Mar 22, 2012 1:10 pm

Boa tarde irmãos,

Estamos nos aproximando da semana santa e gostaria de propor que falemos sobre os rituais nos terreiros de nações e umbanda nos dias da semana santa.

Alguns ensinam que o ritual de abertura de curas, no candomblé só se faz na iniciação outros repetem o ritual aos 14 e 21 anos, já visitei uma casa de nação Ketu que abre cura também em não iniciados para o fechamento de corpo. Embora eu tenha lido que Ketu só faz na iniciação.
Em minha casa, umbanda, será feita uma canjica de Oxalá e no sábado uma obrigação para Exu.

E no conhecimento de vocês? O que é feito? Podem fundamentar?

axé luz ♥

Eliane Mello

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Laércio em Qui Mar 22, 2012 2:19 pm

Ola eliane.

Primeiro vamos considerar que "semana santa" é um fundamento advindo do catolicismo, correto?
Mas consideremos a vistas grossas que pela pluralidade tenha sido "algo" incorporado a Umbanda pelas vias paradigmáticas.

Contudo, revirando a história, é fato que nos idos dos áureos tempos que não eramos um estado laico ou durante a ditadura, a igreja mandava fechar os terreiros, afinal não podia haver toques para incomodar o sofrimento de Jesus e seus seguidores.Doravante, a policia ia aos Ylês e terreiros e mandava "fechar", ou gentilmente dizia "ou fecha ou quebramos tudo".
"politicamente" corretos, alguns terreiros e abaças começaram a usar o rótulo de "casa espírita nossa senhora de lourdes", por exemplo, para não sofrerem sanções.Mas na surdina, o que era feito mesmo era a boa e velha "macumba nossa de cada dia".

As MDS e PDS para não darem o braço a torcer ou dizerem que foram coagidos, usavam então a quaresma para férias, reformas e para justificar usavam o jargão "espiritos malignos a solta".....
segundo o folclore brasileiro, justamente na época da quaresma, "mula sem cabeça, boi tatá, caipora" estavam a solta........
ha, saci eu crio dois no quintal....

e assim , mitos, crenças, FÉ POPULAR foi sendo incorporada a Umbanda....

em salvador, segundo nina rodrigues, as mds depois que saia o barco dos Yaôs, iam assistir a uma missa.......politica da boa vizinhança ..(leia-se: o bispo ver as novas "formandas"...e rolava uma graninha também..kkk).

Em minha casa não temos nenhuma restrição a semana santa.Só recomendo não se empanturrarem de chocolate..kkk

Os fundamentos creio eu variam de casa a casa, e da mesma forma que são cultuados Orixás, voduns e Nkices na umbanda também, a menção também pela data a jesus, como ícone da cultura ocidental.

O cuidado é não fazermos uma importação mal feita, pois corremos o risco de fazer "santa missa" ou "missa do galo" nos terreiros.

Ótimo tema, e creio que podemos extender muito ele.
aproveito e convido a todos a debater, sem medo.
O máximo será uma exclusão..kkkk

(ditador é a mãe).kkk

abraços mil!

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Eliane Mello em Qui Mar 22, 2012 3:50 pm

opaaa, medinhoooo.kkkkk

irmão. Falei em semana santa porque afinal todos saberão que se trata da quinta-feira até o domingo de Páscoa.rsrsr

Já li que em alguns candombles, devido a essa tradição de fechar a casa na porrada como vc citou, usaram o costume de ensinar que nessa época os orixás dormem e que portanto nasceu esse costume de na quinta-feira recolher o filho, na sexta-feira realiza o ritual de curas de fechamento do corpo e no sábado acordar o orixá "que dormiu durante a quaresma".
Ao estudarmos os porquês de algumas tradições nos deparamos com a História e quebramos tabus, lendas e preconceitos, mas fato é que a grande maioria ainda usa os rituais nesta data , ainda que não tenham o mesmo significado de quando aprenderam.
Sendo assim, qual o fundamento para os rituais independente da data em que são feitos?
Como aprendiz estou bastante confusa com tanta diversidade de costume dentro de um mesmo ritual, que aparentemente para todos, seja nas nações ou nas umbandas tem a intenção de "proteção", "resguardo", "fechamento"... Não deveria ser feito antes do carnaval? Eu achava que os bichos andavam soltos por aí era nos 4 dias do rei Momo...

Alexandre Cumino no facebook outro dia postou que a quaresma era propícia às demandas, e que todos deveriam mesmo se precaver redobradamente nestes dias. hummmm...volto a coçar a cabeça: não deveria fechar o corpo no carnaval??? Question

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Laércio em Qui Mar 22, 2012 4:14 pm

Ola Eliane,

Eu acho que algumas pessoas tinham é que FECHAR AS PERNAS DURANTE O CARNAVAL..e não só o corpo...kkkk depois na primavera chega o rebentinho..kkk

sério:O que houve mana foram adaptações de calendário também...algumas obrigações que eram feitas em outras épocas, e resguardos , como dizem no jargão, "suspender o santo" , passaram a serem feitos nesta época.

Quanto a afirmação do Cumino, não vou comentar.Eu acredito que todo dia é dia de índio, como dizia Baby consuelo...e não só na quaresma, mas sempre temos que cuidar de nosso corpo, mental, físico e espiritual.

abçs

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Eliane Mello em Qui Mar 22, 2012 4:18 pm

Laércio escreveu:Ola Eliane,

Eu acho que algumas pessoas tinham é que FECHAR AS PERNAS DURANTE O CARNAVAL..e não só o corpo...kkkk depois na primavera chega o rebentinho..kkk

abçs

kkkkkk lol! lol! lol! lol!

Como diz a sabedoria popular: Porque será que nasce tanta gente em novembro? king jocolor

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Tania Jandira em Qui Mar 22, 2012 6:21 pm

Oi maninha Eliane!

Essa questão é interessante ... e uma questão tem a ver com a outra... carnaval, quaresma, semana santa... O Carnaval tem algo a ver com o paganismo, talvez seja por isso que alguns falem isso... medo do povo soltar os bichos, as pernas....sei lá...
E se vc for pesquisar, vai ver que aqui no Rio as agremiações carnavalescas surgiram de grupos de cultos afro brasileiros. O Tatá Tancredo da Silva Pinto, veio de uma família que organizou uma, que se me lembro bem, tinha como símbolo uma rainha Angolana - Nzinga. Acho que as religiões afro brasileiras não temiam o carnaval....

Mas o Brasil e essa nossa imensa teia cultural, complica, né? Alguns mais velhos aprenderam coisas e nos passaram isso.

Os mais velhos lá no Terreiro há 20 anos falavam que na época do carnaval e quaresma era um tempo que os Orixás e Guias prestavam conta de suas missões, então estavámos mais vulneravéis. E nessa época só quem trabalhava em caso de necessidade eram os pretos velhos e Exús. Então, se alguém precisasse de algo era para procurá-los e se faria sessão específica.

Como todo mundo trabalha, aproveitavamos o tempo para fazer obras necessárias que no dia a dia não dá. E Voltavámos no sábado de Aleluia. Então nosso ano litúrgico tem uma interrupção nessa época de quaresma.

Aí.... mais leituras, mais reflexões deles... e alguns mais velhos foram vendo que não era bem isso, por que isso tudo tem a ver com uma compreensão do mundo religioso. Por que não comer peixe? ... tradição de que religião? Por que?

Aí teve anos que alguém precisou... e o Orixá da pessoa respondeu... parou de prestar contas e foi atender a um pedido? Em outras, veio um boiadeiro, por exemplo, por que tinha mais a ver com o que estava acontecendo com a pessoa. Por que? Por que trabalha na linha das Almas?
Outros ficavam espantados e surpresos... se a pessoa não está mistificando... então o que é isso?
Nada como a prática para nos mostrar que nem tudo que se aprende é verdade.

Mas... mudar uma tradição e um conhecimento é complicado, então no meu Terreiro se continua a ter recesso e muitos apesar de terem tido explicações continuam a pensar do mesmo jeito e possivelmente irão se espantar se for necessário vir outra entidade que não os Pretos velhos e Exús, nesse tempo de quaresma ...

Quando voltamos a trabalhar, no sábado de aleluia lá no Terreiro não temos um ritual específico. Nunca tivemos também.
O que se faz tem a ver com um tempo de filhos que podem não estar se cuidando...
O Terreiro tem uma limpeza e uma fortificação maior, antes de retomarmos os trabalhos. Pode ser bater folha, colocar canjica e/ou feijão fradinho no telhado. Os filhos podem ter uma limpeza e fortalecimento específicos também, com folhas, legumes, colocar as guias em ervas... depende da intuição do responsável.

Beijus e axé!

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Convidado em Sex Mar 23, 2012 5:49 pm

Rituais da semana santa é bonbastico e trarei a foto que me deixou com dúvidas, aguardem...

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Eliane Mello em Sex Mar 23, 2012 8:37 pm

[quote="Claudio El-Jabel"]Rituais da semana santa é bonbastico e trarei a foto que me deixou com dúvidas, aguardem...[/quote

ai mas eu estou em cólicas aqui esperando suas orientações...já escrevi o tópico praticamente pensando na sua resposta, rsrsrsr. não se demoreeeeeeeeeeeee. rsrs
axé e luz♥

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Convidado em Qua Abr 04, 2012 10:53 am

Tava procurando o tópico, rssssssssss.

Olha sei que prometi mas infelismente a máquina deu problamas e as fotos foram perdidas pois estavam no cartão de memória.

Bem na semana desse tópico havia eu passado por duas ocasiões de falecimentos, uma de uma amiga e a outra de meu próprio sogro.

Como ambos eram católicos, ambas as famílias fizeram o de praxe a famosa missa de sétimo dia.

Achei interessaante pois na primeira igreja na Praça Seca as imagens de Santos estavam cobertas com o manto roxo mas a imagem do lado de fora não.

Já na igreja que realizamos a missa de meu sogro no Meier (Basílica do Sagrado Coração de Maria) não houve a cobertura das imagens.

Na verdade só não falei nada em respeito aos mortos, porém ambas por parte de seus dirigentes atacaram de forma clara outras religiões em seus sermões patéticos o que me deixou muito chateado ao ponto de fotografar e tentar gravar em vídeo a imagem e som para trazer a baila.

Percebi porém que tais argumentações foram utilizadas como forma "terrorista" para influenciar os católicos presentes a não abandonarem a igreja pois somente ela era capaz de direcionar os espírtos dos mortos a Deus.

Sinceramente cheguei a comentar com minha esposa se os Padres me reconheceram, rssssssssssssss, pois não tiravam os olhos de mim. Será que tô tão famoso assim ou eles andam entrando na rede para leituras?

Minha vontade foi a de calá-lo imediatamente e dar a ele uma aula de rituais usados no Candomblé e outras religiões para mostrar-lhe que ele não tem é cultura sobre outros cultos, porém me lembrei da máxima que sempre uso, "galo em terreiro alheio não canta, faz coro", mas não fiquei naquela de sentar, levantar e ajoelhar, não por rebeldia e sim por não perceber bondade nas palavras dos dirigentes daquela religião.

Fui apenas para confortar a família da amiga de minha esposa e no caso de meu sogro para homenagear a vontade dele e confortar minha família.

Outro fato interessante e que nunca havia visto, já que não frequento igrejas foi já existirem rezas católicas que reverenciam a natureza, a água potável e coisas do gênero algo que percebi como uma manobra para trazer para eles a imprtancia de algo que eles nunca reverenciaram.

Bem gente é isso, além de não haver mais regras na igreja católica sobre os rituais que eram sacros agora também existem sermões que atacam quando não diretamente em palavras de duplo sentido e proposital.

Abraços e axé!

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Eliane Mello em Qui Abr 05, 2012 12:09 pm

irmão Kambami,

aqui na nossa paróquia também está ficando assim. Parece que a diocese está apertando o cerco pela perda de muitos fiéis para os evangélicos. Apenas um dos padres que dá plantão aqui na S. Sebastião (é...são revezados) tem um sermão muito lindo em todas as suas missas, ele é mais espírita que ele pensa, rsrsrs. Sempre levando mensagens de otimismo e paz aos fiéis.
Ainda estou me coçando pela sua opinião a respeito dos rituais nos terreiros, como curas, canjicas, etc..
volte em breve..
axé e luz♥

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A Quaresma e Religiões de matriz africana

Mensagem por Tania Jandira em Qui Abr 05, 2012 5:49 pm


Manos e manas, eu li um texto de Elias de Oxalá, que gostei muito e trago para nós.
Ele foi postado na Rede Afro brasileira. Grifos meus...
Beijus e Axé!

" Há muito as religiões de matrizes africana romperam com as tradições do catolicismo no Brasil. Um fato ostensivo deste dessincretismo religioso é o rompimento definitivo de muitos terreiros do culto aos orixás com o chamado LOROGUM, em seus calendários religiosos.

Devido a muitos aspectos do sincretismo afro-católico no Brasil, os orixás (deidades do panteão africano) foram cultuados em formas paralelas aos santos do catolicismo, estabelecendo assim uma forma de os escravos enganarem aos seus senhores, dizendo estarem cultuando os santos católicos às suas formas, entretanto estavam mesmo era cultuando seus deuses.

Esta prática perdurou por muito tempo ainda após a Abolição da Escravatura, até que na cidade de Salvador (Estado de Bahia), mães-de-santo famosas promoveram um movimento que repercutiu em todo o país, em prol do reconhecimento do Candomblé como religião, e não como seita, ou parte do folclore brasileiro: “Ao público e ao povo do candomblé: deixamos pública nossa posição a respeito do fato de nossa religião não ser uma seita, uma prática animista primitiva. Consequentemente rejeitamos o sincretismo como fruto da nossa religião, desde que ele foi criado pela escravidão. . . Candomblé não é uma questão de opinião. É uma realidade religiosa...” (CAMPOS: 2003. P.106).

Tal manifesto ficou conhecido popularmente sob o slogan: Santa Bárbara não é Iansã, que procurava demonstrar ao povo-do-santo e ao leigo em geral, que os santos do catolicismo nada tinham em comum com os orixás.

Ao mesmo tempo, procuraram demonstrar que o negro/afro-descendente era tão fiel a suas raízes quando realizavam seus rituais nos terreiros como quando iam às missas nas igrejas católicas demonstrando assim sua fé ao catolicismo e também aos seus santos.

Uma dessas rupturas sincréticas logo assumidas, por terreiros antigos da cidade de Salvador e do recôncavo baiano, foi o ato de, durante todo o período da quaresma, cobrir os igbás, fetiches que simbolizam os assentamentos dos orixás, seguindo assim um modelo tipicamente católico, onde as imagens católicas são cobertas de tecidos roxos em respeito ao sofrimento e à agonia da Paixão de Cristo.

Dessa forma, tocava-se o LOROGUM (rito em que os orixás se despedem dos adeptos e neófitos como se partissem para a África, retornando somente no sábado de aleluia) e mantinham o silêncio e reduziam suas atividades religiosas em muito (apenas jogos-de-búzios, pequenos ebós e não se iniciava ninguém durante todo o período de quaresma).

Hoje o que se percebe na maioria dos terreiros, é um dessincretismo afro-católico em detrimento de uma reafricanização dos cultos, onde sacerdotes e sacerdotisas buscam cada vez mais ritos e semelhanças com os cultos ainda praticados em África Setentrional (Nigéria, Benin etc.), ficando assim cada vez mais distantes das reminiscências do catolicismo.

A Quaresma
Tendo adotado o festival pagão da primavera do Ishtar ou Páscoa na Igreja, naturalmente foi adotado também o antigo costume do “jejum” que precede o festival da primavera. Este período de quarenta dias antes da Páscoa é conhecido como “Quaresma”. Em épocas passadas, nestes quarenta dias eram levados através de lamentações, choros, jejum e martírios para o deus Tamuz – a fim de renovar seus favores – para que ele saísse do centro da terra, terminasse o inverno e causasse o início da primavera. De acordo com as antigas lendas, o deus Tamuz tinha quarenta anos quando foi morto por um porco selvagem. Assim que quarenta dias – um para cada ano que viveu na terra – foram escolhidos para “chorar pelo deus Tamuz”. A realização desse período em honra a este deus não era conhecida somente na Babilônia, mas também pelos fenícios, pelos egípcios e por uma época, inclusive entre o povo escolhido por Deus quando caiu em apostasia.

Quarenta dias de abstinência ou Quaresma era conhecido e praticado pelos adoradores do demônio no Curdistão, pelos que herdaram o costume da primavera de seus mestres, os babilônios. Este costume era conhecido também entre os pagãos mexicanos, os quais costumavam fazer “jejum de quarenta dias em homenagem ao sol”. “Entre os pagãos – disse Hislop – esta Quaresma parece ter sido indispensável antes do grande festival anual em memória da morte e ressurreição do deus Tamuz”.

Quando o paganismo e o cristianismo foram mesclados, pouco a pouco a Quaresma pagã foi unida à igreja que a praticava. Era alegado que isso servia para honrar a Cristo e não aos deuses pagãos. Durante o século 7, o papa instituiu oficialmente a Quaresma, chamando-a “Festa Sagrada” e sacramento [tornando oficial] ela ao povo, instituindo o ato de não comer carne durante este período.

Naturalmente, as pessoas que não entendem o mistério contido em tudo isto, pensam que o período da Quaresma e os dias de “abstenção” são de origem cristã. A verdade é que a Bíblia e a história antiga ensinam o contrário.

No catolicismo, na Quaresma, é comum encontrarmos imagens cobertas por mantos de cor roxa: sentido de penitência

A quaresma tem seu inicio na quarta-feira de cinzas e seu término ocorre na Sexta-feira santa, até a celebração da Missa da Ceia do Senhor Jesus Cristo com os doze apóstolos... os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais. A quaresma vai a até a páscoa quando o Senhor ressucita.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. O roxo no tempo da quaresma não significa luto e sim simboliza que a igreja está se preparando espiritualmente para a grande festa da páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo.

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

Quarenta Dias

O tempo da quaresma é de quarenta dias, porém em dias corridos somam quarenta e sete pois, de acordo com o cristianismo, o domingo, que já é dedicado como o dia do Senhor, durante a quaresma não é contado. Após esse período, se inicia o Tríduo Pascal, que termina no Domingo de Páscoa. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. Antes de iniciar sua vida pública, logo após ter sido batizado por João no rio Jordão, Jesus passou 40 dias no deserto. Esse retiro de Jesus mostra a necessidade que ele teve em se preparar para a missão que o esperava. Contam os Evangelhos que no deserto Jesus era conduzido pelo Espírito, o que quer significar que vivia em oração e recolhimento, discernindo a vontade de Deus para sua vida e como atuaria a partir de então. No tempo que passou no deserto Jesus teve uma profunda experiência de encontro com o Pai. E, tendo vivido intensamente esse encontro, foi tentado pelo diabo.As tentações que Jesus viveu são apresentadas como aquelas que também os cristãos precisam viver. É por isso então, que os cristãos realizam uma penitência de quarenta dias, chamada quaresma.

Práticas de reflexão

Catolicismo

A religião católica é a que mais se identifica com a Quaresma, período em que os fiéis se preparam para a Páscoa e refletem sobre seus atos em relação ao próximo. Como forma de sacrifício, fazem jejum, especialmente de carne, e relembram a ressurreição de Cristo, para expiação dos pecados de todos os católicos.

Judeus
Na mesma época da Páscoa cristã, a religião judaica comemora o Pessach e lembra a libertação dos judeus escravizados no Egito, cerca de 1.400 anos a.C. Os judeus substituem os alimentos com fermento pelo matsá, pão feito apenas de farinha e água. O livro Hagadá é lido durante todo o período e, no jantar do Pessach, recordam os tempos de escravidão e a união do povo judeu.

Islâmicos
Os muçulmanos não comemoram a Páscoa, mas também reservam um mês para relembrar fatos históricos da religião. Entre julho e agosto deste ano, os muçulmanos realizarão o Ramadã para se lembrarem da revelação do livro sagrado “Alcorão” ao profeta Maomé. Durante esse mês especial, os muçulmanos praticam o jejum do nascer ao pôr do sol.

O Ramadã lembra muito a quaresma, mesmo que a quaresma seja mais simbólica o Ramadã é bastante disciplinado - eles devem acordar cedo, tomar seu café antes do nascer do sol, após disso não podem comer mais nada até depois do pôr-do-sol, dessa forma o jejum e abstinência devem durar entre o nascer e o pôr-do-sol.

O jejum para os muçulmanos é obrigatório para aqueles que chegam à puberdade, constituindo um momento importante na vida e uma marca simbólica na entrada na vida adulta. Não se pode jejuar quando: grávida, menstruada, enfermo ou quando a pessoa está viajando. Quando esses dias de jejum não são seguidos ou cumpridos devem ser feitos em outra ocasião, antes do próximo Ramadã.

Budistas
Para o Budismo, a preparação da alma deve ser algo cotidiano, sem se limitar a datas específicas. A reflexão dos budistas é realizada por meio da meditação, geralmente num estado de concentração mental profunda. Os budistas acreditam que o ato de meditar garante bons pensamentos, que, consequentemente, geram mais bondade aos praticantes.

Evangélicos
Os evangélicos lembram que não só Jesus jejuou e se penitenciou por 40 dias. Eles citam Moisés, que subiu o Monte Sinai para receber as tábuas dos Dez Mandamentos e jejuou por igual período. Na religião evangélica, o jejum deve ser feito para o fortalecimento espiritual e não por força de uma data como a Quaresma.

Batistas
A Igreja Batista lembra o significado do número 40, presente em várias históricas bíblicas: o dilúvio vencido pela Arca de Noé durou 40 dias; Jesus permaneceu no deserto durante 40 dias e 40 noites; Davi reinou por 40 anos; e quatro décadas também foi o tempo da caminhada dos israelitas pelo deserto até a terra prometida.

Luteranos
Embora considere a Quaresma dentro de seu calendário litúrgico, a Igreja Evangélica Luterana não reserva à data qualquer ritual específico. Acontece, porém, de algumas congregações luteranas repetirem a Igreja Católica e colocarem cinzas sobre a cabeça do fiel, para que ele se lembre de se arrepender diariamente dos pecados.

Espíritas
O espiritismo não condiciona as atividades de seus fiéis a qualquer tipo de ritual litúrgico. Os espíritas buscam a prática da caridade como meio de modificação e melhoria espiritual. Para a religião espírita, a mudança do ser humano deve ser buscada constantemente e não apenas no período que antecede a Páscoa.

Religiões afro-brasileiras
Os fiéis das religiões afro-brasileiras praticam o jejum em dias de trabalhos espirituais e não limitam a prática somente ao período da Quaresma. Há muito as religiões de matriz africana romperam com as tradições do catolicismo no Brasil. Um fato ostensivo deste dessincretismo religioso é o rompimento definitivo de muitos terreiros do culto aos orixás com o chamado LOROGUM, em seus calendários religiosos.

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Otavio Nagle em Qui Fev 13, 2014 2:35 pm

Que tópico excelente..tirou muitas dúvidas...
obg

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Igor D´Ogun em Qua Fev 19, 2014 7:56 am

Rituais da semana santa
Com certeza os rituais da semana santa possuem influência católica. Não vou me prolongar nisso, uma vez que o Laércio colocou bem vários motivos dessa influência.
Não colocarei aqui apenas minha opinião, vou falar como acontece, mais ou menos, em casa:
Eu cresci na casa de mãe fazendo fechamento de corpo na sexta-feira santa, Pai José fazia esse ritual... é bem bonito.
Hoje lá em casa ocorre também na sexta-feira santa, não por enxergarmos força especial, especificamente, nesse dia, mas sim por tradição, respeito e continuidade ao axé de minha mãe.
Pregamos que ao chegar o carnaval, por ser considerada uma festa da carne, exibicionismo etc. (não que só exista isso, mas enfim...), energias mais densas ficam soltas. Muita gente interpreta o carnaval muito negativamente... Isso cria uma energia que contagia outras pessoas e assim uma Rede se forma. Se juntarmos isso ao fato de vários terreiros de Umbanda e Candomblés estarem fechados na quaresma (“recolhem/adormecem o santo”, não tocam atabaques etc.), pessoas mal intencionadas e com conhecimento de magia atacam com trabalhos de magia negativa, principalmente nesse período.
Essa “deixa” é interpretada por aqueles que querem prejudicar ou demandar contra uma pessoa ou terreiro como “baixar a guarda”, pois o terreiro está fechado, sem toque, muitos fazem a “soltura de exú’’ (eu particularmente não solto... eu cuido deles com mais afinco nessa época, deixo-os mais próximo), ou seja, entendem que as pessoas estão com menos proteção.
Lá em casa trabalhamos normalmente na quaresma e costumamos a trabalhar com energias mais quentes (Orixás e Entidades), pois trabalhamos com intuito de obter mais “defesa” para casa e filhos de santo (ervas, comidas, dendê, lanças, obés etc., tudo mais presente e manipulado).
Antes do carnaval trançamos todos os contra-eguns, deixamos em banho (ritual específico da casa) e depois entregamos aos filhos, que utilizam até a sexta-feira santa.
Na semana posterior ao carnaval começamos “investigar” as possíveis cobranças e necessidades especiais de cada filho que irá passar pelo ritual, daí iniciamos uma “paulera” de trabalho: Firmar Exú de cada filho, Dar de comer ao Ori de quem está precisando, Fazer sacudimento em alguns, Dar Banho para outros, Descarregos para outros... enfim... cada um está num momento e com uma necessidade. Dá aquilo que cada um precisa. Vemos também qual o Orixá que “mais vai ajudar” a pessoa até o próximo ritual de fechamento de corpo (sexta-feira santa do ano subsequente). Dependendo da necessidade de cada filho é “colocado” um Orixá que lida melhor com tal necessidade. Daí monta-se um patuá para cada filho, respeitando os fundamentos desse Orixá.
Os patuás ficam no quarto de santo até a sexta-feira santa.
Próximo do fim da quaresma, damos banho de agbô nos filhos de santo.
No dia (sexta-feira santa), abre-se o trabalho e os pretos-velhos chegam... Nos pés do véio fica uma bacia com um “líquido” que é um segredo da casa, na verdade são vários itens ali misturados e encantados, além de rosa e espinho de laranjeira (antigamente na casa de minha mãe utilizavam punhal e algumas vezes navalha. Depois o Pai José disse que podiam mudar, pois minha mãe não queria mais que fosse usado nada muito cortante, ela tinha certo receio. Daí ele mesmo (Pai José) disse que podia ser espinho de laranjeira.)
Cada filho de uma vez vai ao pé do véio e ele trabalha da forma dele. Com o espinho ele marca algumas partes do corpo (abre cura) e passa o “líquido”, tudo isso ao som dos atabaques e curimbas do Orixá respectivo do fechamento de corpo do filho. Nessa hora é entregue o patuá ao filho.
São exigidos 3 dias de resguardo e o trabalho termina com um banho no terceiro dia.
Bem... essa é a forma que eu acredito... é a forma que eu executo. Claro que não coloquei os detalhes e rituais com fundamentos e segredos da casa (embora muitos critiquem os tais segredos de casa, mas lá na minha casa eles existem sim e nem tudo é aberto).
Espero que tenha contribuído com o tópico, que é muito interessante, pois mais uma vez demonstra uma diversidade absurda dentro da Umbanda.

Abraços e axé,

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Re: Rituais da semana santa

Mensagem por Tania Jandira em Qui Fev 27, 2014 11:18 am

Recebido por email, um texto sobre o assunto, do Terreiro de Òsùmàrè

"O Ritual do Olorogun, uma tradição centenária você já ouviu falar?

Durante o período da quaresma (calendário católico), muitas das antigas Casas de Candomblé da Bahia, interrompem suas funções, retomando suas atividades religiosas, somente no sábado de Aleluia.

O Ritual, em suma, acontece logo após o carnaval, em uma cerimônia em que todos os filhos de santo da casa, vestidos de branco, dançam ao som do Adahun (toque que tem por objetivo evocar os Òrìsàs à terra). Logo que todos os Òrìsàs se apresentam, os mesmos se recolhem para serem devidamente paramentados com suas vestes litúrgicas.

Na volta, os Òrìsàs retornam em dois grupos distintos (grupos “rivais”), carregando uma folha de Peregun na mão, sendo que na cabeça, os Òrìsàs usam somente uma rodilha (cada grupo de uma cor). Os dois grupos de Òrìsàs simulam uma guerra (Olorogun). No final da cerimônia, cada Òrìsà que está liderando um grupo, parte com uma Vara de Atori, que em sua extremidade leva um pequeno Apo (saco contendo elementos sagrados). Após a finalização da cerimônia, a casa interrompe todas as suas atividades religiosas, sendo retomadas somente no sábado de aleluia.

Os antigos comentam que nesse período, os Òrìsàs que habitam as terras Brasileiras, vão até sua terra de origem, na África, para novamente absorver as energias que os originaram e para lutar. Ao longo de todo esse período, os Òrìsàs de filhas iniciadas nessas casas, não manifestam em seus Ori.

É importante destacar que na África, havia períodos em que havia o resguardo de manifestação dos Òrìsàs e de atividades religiosas. Sobre isso, podemos recordar da passagem de Ògún, que após anos fora, ao chegar à sua cidade de Irê, ninguém o reverenciou, despertando sua ira. Após o ocorrido, quando o Pai de Ògún chegou e viu a destruição que seu filho havia feito, indagou o que havia acontecido. Ògún, de pronto respondeu que fizera tudo aquilo, pois ninguém o reverenciou. Ògún logo fora advertido, sendo informado por seu Pai que, todos estavam em resguardo religioso, não podendo lhe prestar homenagens.

Assim sendo, seja pelo Olorogun ou não, os Antigos Terreiros de Candomblé da Bahia, realizam um período de resguardo religioso. Há casas em que, por exemplo, esse período é de 7 dias e, em épocas distintas da quaresma.
Historicamente, acreditamos que o período da quaresma, foi escolhido por essas casas, em função das constantes perseguições que as mesmas sofriam. É importante recordarmos que, o sincretismo religioso foi o único modo que muitas casas encontraram para sobreviver a repressão, sendo que, quando os polícias iam terminar com as festividades, aqueles antigos mencionavam estar cultuando os santos da igreja católica e não Deuses Africanos. Nesse sentido, qual seria o argumento se à polícia fosse destruir um Candomblé, tocando na quaresma – período em que a igreja católica se resguarda?

Dessa forma, cremos que, não há sincretismo acerca do Olorogun, vez que muitos dos rituais que ocorrem, remetem-nos às passagens míticas dos Òrìsàs. É um belo ritual, cercado de mistérios e liturgia. No entanto, o período escolhido (quaresma) se deve à contundente perseguição que o Candomblé sofria. Hoje, é muito fácil recriminar e julgar, mas rituais como esses, ainda que não praticado no Terreiro de Òsùmàrè, contribuíram de forma decisiva para que o Candomblé chegasse até os dias de hoje no Brasil."
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