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Lideranças religiosas protocolam ação no MPF para resgate de peças sagradas

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Lideranças religiosas protocolam ação no MPF para resgate de peças sagradas

Mensagem por Tania Jandira em Sex Ago 11, 2017 12:09 pm

Coleção de 200 artefatos está retida no Museu da Polícia Civil, no Centro do Rio
RIO — Lideranças de religiões de matriz africana e dos movimentos negros, junto com o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL), protocolaram na quarta-feira uma representação no Ministério Público Federal (MPF) para apurar estado de 200 peças sagradas para o Candomblé e para a Umbanda que estão armazenadas dentro do Museu da Polícia Civil, no Centro do Rio. Os artefatos foram apreendidos na época em que estava em vigor o antigo Código Penal de 1890, que proibia a "prática de espiritismo, da magia e seus sortilégios".

Com a representação, os movimentos esperam que as peças possam ser transferidas para um local mais adequado, onde haja uma preservação maior e que venham a ser usadas de modo a ensinar mais sobre as religiões de matriz africana. Segundo o deputado Serafini, o objetivo, no momento, é que o MPF abra um inquérito para apurar a situação da coleção e investigue eventuais situações de ilegalidade e de preconceito religioso por mantê-la apreendida.
— Primeiro, é importante destacar que são peças que tem um imenso valor cultural e religioso. São peças sagradas para as religiões de matriz africana. E por terem sido tomadas em um momento em que o Brasil tinha institucionalizado o racismo religioso, acaba sendo uma ação de reprodução da violência — explica.
Como a Polícia Civil não divulga sobre as condições das pessoas, há dúvidas sobre o estado de preservação das peças, tanto por conta de um incêndio ocorrido no prédio do museu, quanto pela forma que estão sendo cuidados. Umas das possibilidades consideradas pelo grupo é de que a coleção seja transferida para um outro museu, onde possam ser estudadas e catalogadas, como explica Tio Songhele, kanbonbo do Bate-folha — uma das comunidades do Candomblé mais antigas do Rio.
— As peças não foram abertas à nós. Como essa perseguição acontecia desde o Império, não sabemos se ali tem objetos dessa época ou se só estão aquelas que datam dos anos 1920 e 1930. É preciso poder vê-las e estudá-las para saber de quando elas são.

A coleção, batizada de forma discriminatória como "Magia Negra", foi tombado em 1938 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual Iphan. Desde os anos 80, a Maria do Nascimento, mais conhecida como Mãe Meninazinha de Oxum, já falava dessas peças e defendia de que elas precisavam sair da guarda da Polícia Civil e fossem usadas a favor do Candomblé e da Ubanda.

— Esse sagrado não pertence à polícia, mas sim ao povo do terreiro. Estou muito esperançosa e acredito que com a representação vamos ter uma resposta positiva; Que vamos conseguir resgatar essas peças e que elas sejam levadas para um lugar onde as pessoas e as crianças possam vê-las e conhecer mais a nossa religião. Essa é a nossa história e o povo precisa ter conhecimento sobre ela.
Procurada, a Polícia Civil, responsável pelo museu, não respondeu às perguntas do GLOBO.
Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/liderancas-religiosas-protocolam-acao-no-mpf-para-resgate-de-pecas-sagradas-21688538#ixzz4pSYZIZtF 
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